quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Penduricalhos da memória

Um par de chinelos esquecido, uma escova guardada no armário do banheiro, uma roupa suja jogada no cesto. As pessoas passam pelas nossas vidas, mas deixam os lembretes daquilo que significaram enquanto permaneceram ao nosso lado.

São evidências físicas de algo que já está gravado nos anais da memória. E como são difíceis de apagar, e como doem. Não é à toa que os episódios de Black Mirror que tratam sobre bloquear pessoas e memórias são os que mais fazem sucesso entre os fãs. É porque, no fundo, tem muita gente querendo aquele aparelho que permite tornar os outros invisíveis e deletar acontecimentos e afetos.

Bloquear ou ser bloqueado em redes sociais já é realidade. Mas há memórias que vão além delas. Arrisco dizer que os momentos mais marcantes e difíceis de serem esquecidos não são aqueles registrados em fotografias postadas no Instagram. Tem lembranças que martelam na minha cabeça ininterruptamente, mas que nunca serão visualizadas na tela de um smartphone.

Tem corpos que nunca mais nos tocarão, mas ainda conseguimos sentir o seu perfume. Como lidar com isso? A gente passa por esse processo toda vez que há um rompimento, mas nunca sabemos lidar da maneira que gostaríamos. Queríamos que não fosse doloroso, mas sempre dói, de novo, de novo e de novo.

A pessoa parte, vai embora, em busca de um caminho que lhe pareça melhor e mais agradável. A quem fica cabe descartar essas lembranças ou deixar tudo fora de vista, até que a ausência pare de fazer diferença.

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