terça-feira, 15 de novembro de 2016

Curtindo a dor

É duro não se sentir necessário na vida de alguém. É mortificante constatar que aquele lugar onde antes a sua presença era imprescindível, agora o essencial é sua ausência. Não existem receitas para lidar com a sensação de derrota e fracasso quando constatamos que estamos sobrando em algum lugar.

O que fazer? Sinceramente, não acho que haja nada a ser feito que vá surtir efeito de imediato. Correr atrás do prejuízo, tentar corrigir erros possivelmente cometidos para reconquistar o espaço que antes era nosso não é a melhor coisa a ser feita. Pelo menos não quando a outra parte deixa claro que não nos quer por perto. Quando alguém corta qualquer tipo de contato contigo ela te manda uma mensagem clara: quero distância de ti. Quando ainda assim vamos em busca de estabelecer um diálogo e a pessoa verbaliza o que antes ficara dito no ato de te bloquear em uma rede social, é momento de repensar atitudes. Principalmente se a pessoa já admite ter alguém para colocar em teu lugar.

Por outro lado, não há como ignorar aquela sensação causada pelo desprezo de quem queremos bem. Os nós na garganta, a vontade de chorar, o desânimo com qualquer coisa provavelmente não vão sumir nas próximas semanas. Mas ainda assim, tentar amenizar essas coisas ruins indo atrás da pessoa que nos expulsou de seu mundo só vai piorar as coisas.Não é nem questão de amor próprio, mas de bom senso. Dificilmente a pessoa vai te aceitar de volta porque lhe viu chorando e ouviu suas juras de amor. Se até este ponto ela se mostrou irredutível, não será agora que ela vai ceder. E se ceder, possivelmente terá sido por caridade.Enfim, uma relação assim não vale a pena.

O melhor a fazer é curtir a dor. Parece meio masoquista, mas fingir que não tá acontecendo nada é mera distração. Evite chegar ao ponto de pensar em cortar os pulsos, mas também não finja a alegria que não sente. Afinal, é como diz aquela balada de rock “sorrir é bom, mas rir de tudo é desespero”. É preciso sentir a dor, porque não há outra opção. A dor não pode ser evitada, mas podemos decidir o que fazer a partir dela. Porque tão importante quanto não fingir que não está sofrendo é não se tornar escravo desse sentimento. Eu, por exemplo, tento ler livros. Estou lendo um blockbuster decente escrito por Lisa Gardner chamado Sangue na Neve e tem me feito bem para distrair a mente daquilo que está na casa do sem jeito. Mas tem momento que nem o PS 3 afasta a tristeza. Daí a única solução é conversar com ela e tentar seguir adiante com bastante resiliência. Não é fácil, mas é só o que dá pra fazer.

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