quinta-feira, 5 de março de 2015

A doce existência de Luna



A Providência, ou quem que seja o responsável pelas leis do universo, sempre nos manda sinais quando algo importante está para acontecer e quase sempre estamos ocupados demais para reparar neles. Mas esta manhã, ao levantar com a certeza de que você está entre nós, subitamente tudo começou a fazer sentido. 

Não é de admirar que essa quinta-feira com cara de sexta, véspera da data predileta de todo assalariado- que é o quinto dia útil do mês- esteja incrivelmente bonita. Enquanto te escrevo esta crônica, com o estômago a anunciar que se aproxima a hora do almoço, compreendo porque o dia amanheceu com um sol quente e cheio de vida, para em seguida, dar lugar a um temporal.

É que o Sol não podia oferecer nada menos do que a sua luz mais bonita para enfeitar a nascente de onde desponta. Obra de arte sem pincel e tinta na maior aquarela que existe, para você saber que a vida é bela, apesar de muitas vezes dolorosa. A chuva veio para lavar a maldade do mundo, para que pelo menos hoje, na tua estreia entre os mais de sete bilhões de atores, que interpretam essa tragicomédia que chamamos de civilização humana, não haja iniquidade ao teu redor. 

Já não me causa estranheza que um furão tenha se acomodado na garupa de um pica-pau. Uns disseram que a cena registrada num parque de Londres era uma luta pela vida, onde o pássaro era a presa do carnívoro pertencente à família dos mustelídeos. Prefiro crer que queriam encontrar uma rota rápida de Londres a Fortaleza, e devem ter concluído que é verdadeiro o clichê que diz: duas cabeças pensam melhor que uma. 

E quando chegarem à Praia de Iracema partirão rumo ao Centro da cidade para te ver ainda nos braços acolhedores da Flor que te trouxe à vida, no leito da maternidade. Se eu os encontrar vagando por aí, peço permissão para guia-los até tua casa.

 Após descansarem da viagem sob a sombra do cajueiro reinante no quintal, certamente se debruçarão sobre teu berço para te admirar. Contemplarão o teu sorriso travestido de timidez, idêntico ao da tua mãe,  que você ostenta naquela foto compartilhada por teu pai numa rede social. 

Ele parece tão feliz e me alegro por sua felicidade, mesmo sabendo que o sorriso dele, se realiza às custas da minha tristeza. É que ainda antes de nascer, quando estava deixando de ser pólen para se transformar numa florzinha, tu me ensinaste que amar é querer bem mesmo estando longe. E o meu amor por ti é extensão daquele que sinto por tua mãe. 
 
É provável que nunca nos conheçamos e que nunca te entregue o presente que venho guardando para te dar quando você aprender a ler. Não faz mal. Já me sinto feliz por saber que tu colocaste os pés na Terra gozando de imensa saúde e muito amor. O mundo, de agora em diante, será um lugar melhor para se viver, pois te temos conosco. Pois como teu nome mesmo diz, tu és aquela que é cheia de pureza. Bem vinda à vida, Luna.