sábado, 25 de outubro de 2014

Transformação



O amor é capaz de tudo. Até de parar o trânsito conturbado da Aldeota, como mostra a matéria de capa do caderno Vida & Arte do jornal O Povo de hoje. É que nem o futebol: guarda em si o mistério do imponderável e não há quem seja capaz de decifrar os meandros dessa coisa abstrata, mas que se faz tão presente a ponto de nos transformar enquanto seres humanos.

Pelo amor fui tocado e transformado. Amor que uma moça, você mesma, não se faça de desentendida, despertou em mim. Eu era meio descrente nesse tipo de sentimento, mas dele ninguém foge. E resolvi não fugir de você e do que despertaste neste peito cansado e vazio.
O teu sorriso tão delicado como um poema de Manoel de Barros e teu olhar misterioso e forte como um conto de Caio Fernando Abreu iniciaram esse processo. Não diria que foi amor à primeira vista, mas quando meus olhos cruzaram os teus pela primeira vez, minhas pernas tremeram e meu estômago deu cambalhotas na barriga. Talvez para te impressionar.

Não sei se foi genuíno, ou se fizeste por carência de afeto (perdoe a incredulidade), mas a tua reciprocidade fez essa fagulha crescer a tal ponto que queima meu corpo, cega meus olhos e turva meu raciocínio com tua ausência. Meus dedos anseiam pelo teu toque. Minha boca pede a tua para matar a sede como se estivesse entornando um copo de Coca-cola. O meu tórax deseja aconchegar sua cabeça e meus braços querem te envolver e sentir o atrito de tua pele. Fosse por mim, você já estaria na vala do esquecimento que chamamos de passado, mas não depende deste cara acostumado a lidar com as intempéries da vida. Meu corpo e tudo nele pedem você. Minha mente, mais realista, também te quer, embora entenda que isso não é possível.

Jurou-me amor, mas foste embora. Azar o teu se não soube, ou não quis ficar com o que tenho de melhor: meus sentimentos. Amo-te e continuarei amando por um bom tempo. Faço isso por mim, não por você. Faço isso porque não tolero a ideia de negar o que sinto. Claro que tens motivos fortes para não viver essa história comigo. Fui intruso, admito. Aceito o amor que sentes por outra pessoa, que já estava contigo antes de minha chegada. Aceito que queiras continuar com ele o que vem sendo construído a quatro mãos.

Fomos imaturos. Eu com os meus ciúmes. Tu com as tuas reticências e meias-verdades. Mas ficou um aprendizado. Pelo menos para mim. Aprendi que amar é querer o teu bem, mesmo que não seja ao meu lado. O teu sorriso é a lembrança mais forte que tenho de ti, então não quero que ele suma de teu rosto. Nunca! Pois “continua o teu sorriso no meu peito”, como cantou Fagner. 

Aprendi o significado da palavra resiliência e ela não faz parte apenas de meu vocabulário, mas de minha vida. Sinceramente, não creio que ficaremos juntos. Não acredito que vá te ver novamente. Também poderia dizer que “não acredito mais no fogo ingênuo da paixão”, (Fagner mais uma vez), apenas para que você se sinta culpada por ter destruído o cara que tanto diz admirar, mas seria mentira. Continuo o mesmo cara inteligente, romântico e apaixonado (palavras suas). 

Não te jurei amor eterno, mas disse que ficaria uma porta aberta para você se quisesse voltar. Minha Flor esqueça isso. Estou de peito aberto para ti, mas ele se fechará bem antes de você sentir saudades de mim. Você mesma está fechando. O que sinto por ti é importante e talvez não se repita com outra pessoa nessa mesma intensidade.
Mas estou seguindo adiante, como você. Tu com tua família nascente e o amor que sente por ela. Eu, com minha solidão, e, quem sabe futuramente, com alguém que me dê mais do que palavras. 

Sempre será a minha Flor, mas mesmo as flores mais belas como tu, com o tempo perdem o vigor e a validade. As pétalas se despedaçam e caem no chão servindo de adubo para outra flor que há de brotar nesse mesmo pedaço de coração árido onde você deixou sementes. E o amor que sinto por ti não vai morrer, mas se transformar em terra fértil, onde outro amor haverá de nascer. 

Pela última vez, do teu Alfafa.

25 de outubro de 2014

Esse texto não será deletado de forma alguma. Achou ruim? Me processe!