domingo, 9 de novembro de 2014

À espera de um novo Big Bang

No início não havia nada. Só terra seca e um céu acinzentado, quase enegrecido. Nada brotava dessa terra, nada vagava pelo ar, não havia oxigênio, sequer bactérias. Frio como Netuno, insignificante como Plutão, insaciável como um buraco negro.

Mas não foi preciso mais que um sorriso para espantar o cinza do céu. Quando os olhares se encontraram, foi como se alguém dissesse: “que haja luz!”, e desde então não houve medo do lado escuro da Lua.

Um sopro de ternura e a atmosfera estava oxigenada. Um carinho e Netuno já era a face de Vênus virada para o Sol. Sua voz foi música que rompeu o silêncio daquela morte coletiva. A terra pulsava novamente, o líquido quente já passeava pelas artérias subterrâneas daquele planeta semi-morto.

E pouco a pouco, tudo foi se ajustando. Coisas antigas cedendo espaço para inevitabilidade do novo. Era a maravilha da transformação em pleno processo evolutivo. Chuva ácida por água abundante, tão volumosa que saltou aos olhos de quem viveu aquilo. Redemoinho por brisa matinal, trazendo as boas novas de dentro para fora. O Universo tomou ciência de que havia vida inteligente naquelas paragens.

Frio solitário pela quentura de beijos. A morbidez deu lugar ao movimento cadenciado daquele corpo mais que celeste, orbitando o outro corpo. Chocando-se sem se destruírem. Repelindo-se para reaproximarem-se em seguida. Cada eclipse, um sussurro. Cada gemido, mais terra fértil.

Mas tudo que viceja, um dia morre. A física quântica não explica, mas foi escrito por alguém que, o pó é o início e o fim de tudo. Aquele um metro e cinquenta e cinco de sol modificou sua órbita. Acasos que se Galileu percebeu, foi forçado a negar.

As flores murcharam, as varejeiras não iam mais à caça, nem a chuva ácida restou. O planeta definhava, como tinha que ser na lógica daquele universo. Primeiro a tempestade para preparar o terreno. Em seguida a bonança agraciando tudo com vida e beleza. No final de tudo, a morte, como única certeza incontestável. Ficou apenas a esperança de que um novo Big Bang surja no horizonte do Espaço-Tempo.

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