sábado, 18 de outubro de 2014

O último trem



Quis acenar para você.
Mas seu olhar nem notou.
Busquei nas minhas entranhas,
Aquela declaração de amor mal acabada, porém sincera,

Quis beijar teu rosto,
Boca, nariz, seios e todo o resto,
Senti teu cheiro enquanto sonhava,
Mas acordei com a solidão fitando-me curiosa,

Indagou-me dessas coisas,
Que trago no peito e que não têm jeito,
Tal qual cantou Belchior antes de sumir nas asas do sonho,

Mandei-a embora e fui atrás de você,
Marquei encontro contigo, reservei mesas, vesti a melhor roupa,
Mas quando o motorista abriu a porta ninguém desceu do fusca 73 que mandei para te buscar,

Você diz que nos cruzamos muito tarde,
Que nosso amor pegou o trem atrasado,
No entanto, estamos calados em nossos lugares,
Olhando para o nada e esperando a próxima virada do ponteiro,
E assim, ruminando lamentações,
Vamos fazendo sala para nossa solidão, enquanto a morte não vem.

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