domingo, 14 de setembro de 2014

Meio platônico, meio carnal



Você é aquele violão que eu tanto cobicei, mas que nunca aprendi a tocar. Foste o sonho mais visceral e realista que tive. Sonho que me veio enquanto estava acordado. Sonhava de olhos bem abertos espionando você. Assim como fui desengonçado com as cordas do violão, também fui ineficaz ao tentar ver teus sentimentos através de teus olhos. Tuas palavras, então, nunca diziam nada, apenas me confundiam.

Você é o blues que eu gostaria de ter composto neste violão que nunca dedilhei direito. A nota mais complexa que meus dedos fossem capazes de executar. O riff de guitarra mais melódico e bonito que qualquer solo de Gary Moore. O teu sorriso encabulado é a partitura mais perfeita que jamais irei compor. Tua voz mansa e levemente rouca é o vocal perfeito que nunca sairá de minha boca. 

Tuas mãos arredondadas e os teus dedos finos e delicados são o quadro que pintei com esmero na minha cabeça, mas nunca transpus ao papel. O teu andar é o tango que sempre quis dançar, mas nunca ensaiei. A confusão na tua cabeça foi o meu anjo exterminador.

Cada "eu te amo" escrito para ti foi o aborto do amor imaterializado entre nós dois. A distância que nos separa é a minha punição por ter me permitido ouvir o que batia no peito, em detrimento do que martelava a cabeça. A lágrima que agora ensopa teu rosto em meu celular é o bálsamo que lava meu corpo e leva embora o rancor. 
  

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