terça-feira, 23 de setembro de 2014

Morto-vivo

Você é a solução de potássio que corrói minha alegria,
O mal de Alzheimer que fustiga minha sanidade,
A força motriz de minha demência,
Sua voz é o eco dos meus gemidos noturnos,
Sua ausência é o nó que entope a minha garganta,

Você é chuva de setembro, que só vem uma vez perdida,
Passa breve e nem sequer molha o chão,
És vento de agosto, forte, mas não refresca,
Seu beijo é água salobra, abundante, mas não mata a sede,
O seu amor é terra arrasada, onde nada frutifica que não seja dor,

Você é a fantasia abstrata, enganosa e passageira,
Miragem de quem está para morrer de sede,
Sede do líquido que lubrifica sua língua,
Sede do mel que umidifica teu ventre,
A sua ausência é uma quase-morte.
Prazer, pode me chamar de morto-vivo.

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