domingo, 31 de agosto de 2014

Valsa para dois perdidos



Tenho andado por lugares que você nem imagina,
Vi coisas que me deixaram descrente,
Dessa panaceia louca que chamam de amor,
Vim de tão longe apenas para te ver sorrir, mas te flagrei chorando,

Corri o caminho todo pulando sobre pedras,
E o fiz com tanta ânsia como se fugisse da morte.
É que não queria molhar meus sapatos novos na lama de suas lágrimas,
Mas ensopei sem querer o meu coração,

Não se trata de eu ou você, mas de nossas escolhas.
Você não é culpada por me fazer correr pelo teu rastro feito cão perdido,
E não serei condenado por ainda sentir o seu cheiro, sou cachorro bom de faro.

Será mesmo que eu nunca entenderia?
O teu propósito é alimentar-se do néctar doce de meus sonhos,
Agora parte, sem olhar para trás, depois que atravessei o rio a nado apenas para te ver.
Tu só querias sentir um afago antes de pular no teu precipício particular.

E mais uma vez recebo uma aula, provando como estava enganado,
Não existem dois amores no mesmo peito, 
Assim como não há duas primaveras no mesmo ano,

Os teus sussurros se tornaram muito eloquentes,.
Mas se misturam com as buzinas dos carros e o choro dos solitários,
Eu sou um deles, mas o choro é algo supérfluo para mim
E eu que vim de tão longe para te ver, enxergo apenas tuas costas sumindo na próxima esquina,
Aquele rapaz ainda te espera e você nunca o deixou de fato.
Bobos, somo eu e ele. Tentamos desvendar a charada que nem mesmo tu sabes a resposta.

Quero quebrar as correntes que seguram os fantasmas dentro de mim.
Aqueles que você de vez em quando alimenta, quando quer atenção.
Quero ver-te se transformar na caspa que enfeia meu paletó, pois com um sopro posso mandá-la para longe,
Ou o vento atrevido que traz poeira para a minha casa, mas logo vai embora.
Agora pode partir, não vá perder a condução.
Seja efêmera como o vento que ressecou meus lábios e plantou bronquite em meus pulmões.

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