domingo, 25 de novembro de 2012

Irreversível



Não adianta fugir,
Desista enquanto é tempo,
Entregue-se a esses momentos,
Etéreos e transcendentais.
Pule seus obstáculos morais,
Que não são legítimos, em absoluto.
Pense nela só por um minuto,
E ela estará contigo a vida inteira.

Quando a noite chegar,
Sinta o calor deste corpo,
Corpo celeste, mas também carnal.
Saboreie com delicadeza,
Esses lábios rosados.
Não olhe para traz, nem para os lados,
Queira apenas segurar a sua mão,
Leve-a de encontro ao coração,
Pois lá é onde tudo está adormecido.

Não existem intrigas e nem cupidos,
Que possam de fato interferir.
Carregue-a nos seus braços por aí,
Como fizeste na primeira vez.

Mostre-lhe os jardins coloridos e suspensos,
Que cultivaste para satisfazê-la,
Agarre sua donzela com firmeza,
Livre-a da injúria  terrena
E quando a felicidade for plena,
E estiverem os dois em seu paraíso,
Surrurre-lhe ao pé do ouvido:
Você é a dona da minha cabeça.

Aflaudisio Dantas
P.S: Com todo o meu carinho

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Já que não posso tocar-te com o corpo que pelo menos eu o faça com a palavra



É alguma coisa dúbia que perambula perto de mim. Nem sempre ´consigo ver com clareza que forma ela toma. Está aqui agora. Não a vejo, mas sinto. E o sentir é tão forte que é a mesma coisa que ver.
Vejo-a se insinuando. Mostrando um mosaico de si mesma. Está tudo fora de ordem. Talvez nem ela saiba como montar. Espera que eu faça isso. Fui o escolhido. Ela quer respostas e espera que eu as tenha. Também espero tê-las. Ela não pode esperar. Não quero fazê-la esperar.
Recebi essa dádiva e só por isso já sou grato. Eternamente grato. É o mais perto que consigo chegar da perfeição. Seus lábios denunciam que há amor guardado para quem cumprir todas as tarefas. Amor para toda a humanidade à espera de um homem só.
Por onde começo? Pelo menos difícil. A superfície. E que bela superfície. Os cabelos encaracolados, cheios de vida parecem uma espessa floresta. Meus dedos se perderiam neles e adorariam desvendar cada trilha.
As sardas de seu rosto são o sal da terra. Contrastam com o frescor leitoso de sua pele. Um rio fora de curso buscando carinho.
Seus olhos são o que há de mais raro. Dir-se-ia que é o espelho da alma. Parece um manancial repleto da água mais pura que possa existir. Eu os quero. Os quero olhando pra mim, com ternura, com verdade, com amor.
Entrarei pele adentro. Com muito cuidado, como o jardineiro que não quer ferir o solo. Quero apenas plantar uma semente. Espero que nasça uma linda árvore nesse solo tão frutífero.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Dia Em Que Quase Virei Atleticano

Por: Aflaudisio Dantas

Fazia muito tempo que não assistia um jogo de futebol com tanto interesse. O jogo entre Atlético Mineiro e Fluminense ficará guardado na memória por um bom tempo, como um exemplo de bela partida.

Para além do jogo em si, outros aspectos que me cativam no futebol se fizeram presentes, ontem. Tenho um lado passional muito forte, e, no futebol, isso se exacerba. Um grande jogo tem que me fazer chorar. E eu chorei. Chorei com cada atleticano que a televisão mostrou. Senti orgulho daquele time, como se a cruz de malta fosse o escudo que eles estavam defendendo. Senti orgulho da torcida, que chorava de alegria, após tantos anos em que, se soluçava por desalento.

Não é só por que tivemos cinco belos gols e uma penca de lances emocionantes. O jogo foi incrível por causa da atmosfera que se criou nas “arquibancadas” e transbordou para o campo. O chavão de que a torcida sente o clima da partida,  teve finalmente sua existência justificada.


De fato, após a reforma, o Indepedência deixou de ser aquele estádio acanhado e sem graça de antes para se tornar um estádio charmoso, moderno, sufocante, no qual a  torcida quase pode entrar em campo para ajudar os gandulas. Um verdadeiro caldeirão, me desculpem o lugar-comum. Aplausos para os que o reformaram.

No campo, os dois melhores times faziam a final possível, a final que um campeonato de pontos corridos permite. O Atlético Mineiro precisava vencer a qualquer custo. Uma derrota significava admitir que seria impossível tirar o título do Fluminense. E o Galo lutou. E como lutou! Quando perdia por 1 x 0, já no segundo tempo, seus jogadores se atiraram ao ataque com todas as suas forças. Tal qual os Kamikazes na iminência do Japão perder a Guerra. Não era só desespero, mas  também perícia. Os gols advindos do trio Ronaldinho, Bernard e Jô comprovam isso.

Era a honra do time mineiro que estava em jogo. Mesmo não tendo que provar mais nada, por conta do grande campeonato que vem fazendo, os jogadores estavam convictos de que a torcida merecia mais. Não faz muito tempo  que, os mesmos torcedores que ontem choravam  de alegria e de orgulho pelo time, caiam aos prantos de tristeza. Nos anos 2000, além de verem o maior rival conquistar tudo o que  podia, os torcedores do Galo tiveram que lidar com a amargura de um rebaixamento. Sem falar nas campanhas pífias em outros campeonatos nacionais e na freguesia recente para o Cruzeiro, no campeonato estadual.

O choro de ontem foi de quem finalmente podia sentir orgulho do próprio time. De quem não precisava mais limitar-se a torcer pelas derrotas do maior rival. O choro de ontem quase me transformou em atleticano.