quinta-feira, 21 de abril de 2011

Davi contra Golias

Tinha tudo para ser uma luta injusta. E acabou sendo. Por mais que se tente fugir do clichê Davi contra Golias é inevitável aludir a essa metáfora tão desgastada pelo senso comum quando falamos de Flamengo e Horizonte. Afinal, era o time do bonde sem freio contra os azarões cearenses. Era assim que a grande imprensa via o confronto de ontem pela oitavas de final da Copa do Brasil.
Não há como negar que a superioridade do Flamengo era absurda. Só o salário de Ronaldinho Gaúcho é suficiente para pagar algumas vezes toda a folha do Horizonte. Era a disputa de um centenário hexacampeão brasileiro contra um clube que tem menos de dez anos de existência profissional. Felizmente, os tempos são outros e apesar da enorme diferença que possa existir entre dois clubes de realidades tão distintas o empenho, a garra e a disciplina tática podem ser o fiel da balança.
 O maior mérito do submarino amarelo cearense foi saber colocar-se no seu devido lugar. E não digo isso de maneira desdenhosa ou pejorativa com o galo do tabuleiro. Sabendo da pressão que sofreria, e de fato nos minutos iniciais o Flamengo foi como um rolo compressor para cima dos cearenses, o treinador Roberto Carlos e seus comandados não se fizeram de rogados. Aceitaram a carapuça de saco de pancadas que todos lhe impuseram, e quando digo todos são todos mesmo, e foram pro jogo.
O que ninguém esperava é que o time “pequeno” do Ceará tiraria proveito do pouco caso que se fazia dele, fazendo com competência o que se esperaria de qualquer equipe semelhante; defender, defender e defender. Atacar só quando tivesse chance. O galo até se assustou no início como seria comum a qualquer equipe que tivesse de enfrentar o Flamengo pela primeira vez na casa do adversário.
Passado o susto os jogadores mostraram ter sangue no olho e coração de guerreiros para suportar todas as intempéries da partida. Tiveram personalidade para buscar a recuperação de um resultado adverso. O surpreendente Siloé que já anda sendo sondado por clubes maiores como o Ceará, foi infernal para os cariocas. Autor da jogada que deu origem ao gol do Horizonte, jogada essa, aliás, que foi a mais bonita da partida provocou a ira dos jogadores do time rubro-negro. Um deles foi Tiago Neves que anulado pela defesa do Horizonte, desferiu uma cotovelada no jovem atacante.
E essa foi a tônica do jogo, um time grande cheio de craques que não conseguia jogar bem contra uma equipe notadamente inferior. Resultado disso foi um Flamengo que foi ficando nervoso e agressivo à medida que ia se aproximando o final da partida, enquanto o Horizonte saia sempre na “boa”, e vez ou outra botava o goleiro Felipe para trabalhar. Nem parecia que o time “pequeno” e “inexperiente” era o Horizonte.