quarta-feira, 17 de junho de 2009

Não Chore por mim

Quando eu for embora,
Não chore por mim
Não mereço tanta consideração.
Sou apenas um vulto que você viu na parede.
Nada mais.
Eu sou efêmero como a brisa,
Que acariciou o teu belo rosto, mas, logo foi embora
Eu sou a flor que adornava teu cabelo
Mas logo murchou, perdeu vida, beleza
E caiu no esquecimento.

Quando eu for embora, não chore por mim
Não gaste comigo as lágrimas,
Que estão transbordando em tua face
Não mereço o carinho dessas mãos trêmulas
Que seguram com firmeza, minha mão gelada

Eu não sou teu amigo.
Eu não sou teu amor.
Tão pouco sou teu irmão.

Eu sou trevas,
Eu sou luz,
Eu sou a melodia,
Mas também sou o silêncio.
Eu sou a cruz que abrigou Jesus,
Nas suas derradeiras horas de sofrimento.

Eu sou aquilo que você não foi,
Mas se quisesse,
Poderia ter sido.
Eu sou a paixão ardente,
Que nem chega a ser amor!
Eu sou um livro
Na estante esquecido.
Eu sou um roseiral que há muito murchou.

Por isso quando eu morrer, não chore por mim.

Aflaudisio Dantas