sábado, 25 de abril de 2009

Minha Desgraça

No êxtase letal dos apaixonados,
Na sofreguidão piegas dos românticos,
Na ânsia sublime dos poetas,
A procura do Amor verdadeiro.
Nem é preciso sonhá-lo por inteiro.
Se ao cabo da mais vaga lembrança,
Enche-se logo o peito de esperança.
E o olhar de felicidade.

E o olhar de felicidade,
Fita o amor que se aproxima.
Devagarzinho, rima após rima,
Vai fitando o Amor, o poeta,
E por ele sendo fitado.
Descobre então alucinado
A desgraça que o cerca.

A desgraça que o cerca,
Chegou sorrateiramente.
Envenenou corações e mentes
Transformou a vida num azedume!
E não é apenas o abjeto ciúme,
Que cria monstros na cabeça
É uma voz sinistra que diz:"Enlouqueça!
Pois você está apaixonado."

Aflaudisio Dantas

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Efemeridades

É a palavra que fere.
O gesto que humilha.
A angústia que entristece.
A ira que mata.
É o piromaníaco,
Que a alma incendeia,
O corpo incinera,
E o sentimento extermina.
É a alegria passageira.
Ou quem sabe a dor eterna.
É a outra metade.
O lado negro da Lua.
É aquela mulher nua.
Que estimula o teu gozo.
É o sêmen perdido,
Numa masturbação.
É o teu coração.
Que agora bate mais forte ,
Como se estivesse a fugir ...
A fugir da Morte!

Aflaudisio Dantas

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Toque de Recolher: Solução ou Paliativo?

Um dos principais direitos que a Constituição Federal garante ao cidadão brasileiro é o direito de ir e vir, e de livre locomoção dentro do território nacional. Um direito considerado universal. Entretanto, no interior do estado de São Paulo, um fato digamos, no mínimo inconveniente virou notícia: foi decretado um toque de recolher para menores de idade. Tenho plena certeza que os juízes que decretaram tal lei são profundos conhecedores da Constituição. Conseqüentemente, sabem que ao baixar tal decreto estão violando o direito mencionado acima. O que convém perguntar é: por quê?
Foi alegado pelos juízes das três cidades e pelos conselheiros tutelares que, essa medida se faz necessária para coibir a violência. Segundo eles, grande parte dos crimes cometidos nessa região é de autoria de menores. Será que esse fato mesmo com toda a gravidade que acarreta, é suficiente para justificar a quebra de um dos princípios de nossa Constituição? Não creio. Essa medida nada mais é do que um paliativo, que pode dar algum resultado imediato, mas a longo prazo não resolve o problema.
Isso nada mais é do que uma tentativa desesperada de tapar o buraco causado pela ausência do Estado tão competente em arrecadar impostos, mas incapaz de promover políticas públicas direcionadas para a juventude. Não culpo os “agentes da lei” que tomaram a decisão de instaurar o toque de recolher. Seria injusto fazer isso. Eles apenas estão usando os instrumentos de que dispõem para tentar amenizar a criminalidade. A culpa é dos nossos representantes políticos (e não me refiro ao governo Lula), pois esse problema nos atormenta a décadas. Entra governo sai governo e o que aparece são promessas e mais promessas, mas pouco de concreto tem sido feito. Não é cerceando a liberdade individual dos jovens que se diminui a violência, mas sim, se prevenindo contra a criminalidade.
Essa é a minha opinião.

Aflaudisio Dantas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quimera

Em cada esquina vejo uma ameaça.
Em cada sinal uma súplica.
Em cada sertão a mesma cara de dor.

A Fome é uma ave democrática.
Pois dá seu voo razante
Por todas as cercanias.

Filha primogênita da Injustiça.
Prima legítima da Violência.
Amiga leal do abandono.

Quando pensamos que chegou ao limite
Ela nos mostra impassível,
Que sempre pode piorar.
Não é só pessimismo,
É a pura realidade.

Aflaudisio Dantas

terça-feira, 21 de abril de 2009

Antítese Psicótica

As estalactites do meu coração,
Se sobrepôem de forma veemente,
Às estalagmites de minha alma.

Estalactites e estalagmites.
Duas forças antagônicas do meu ser.
Vivem a brigar de forma feroz.
É o Sol brigando com seus arrebóis.

Ódio, Amor, Ego, Super-ego.
Delirío senil, comiseração.
Aranha duelando com escorpião.
O errado corrompendo o certo.

O elogio doce, contra a palavra bruta.
A vontade de ser Deus,
E o castigo de ser Judas.
Tudo resolvido entrementes.

Em vão procuro a calmaria.
Mas, esbarro sempre no mar de fantasias
De minhas psicoses dementes.

Aflaudisio Dantas

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Espelho d'alma


Depois da bonança,
Sempre vem a tempestade
As flores murcham,
Porque o tempo as consome.
Se agora choramos, é porque
Pagamos alguma antiga alegria.

Não gostamos de nos banhar,
Quando a água é muito fria.
Não nos apaixonamos,
Com medo de perder a razão.
Quanto mais comemos,
Mais nos acomete a fome.

Quanto mais dinheiro ganhamos,
Mais ele nos consome.
No quintal vizinho,
A grama é sempre verde.
O olhar de um estranho,
Não nos parece cordial.

O pitoresco de hoje,
Amanhã será o trivial.
As inquietudes que me afetam,
Sequer rondam a tua cabeça.
Mas, o olhar daquele estranho,
Sempre reflete o mal.

E se porventura não sabes.
Faz-se urgente saber:
O olho que reflete o mal,
Está olhando para você!

Aflaudisio Dantas
Monólogo Sentimentaloide

Os olhares não se cruzam mais
As teias de aranha se desmancharam
O voluptuoso sonho que eu nutria,
Deu lugar a tenebrosa realidade
Nem sequer despediu-se de mim
Foi-se veloz, num só galope
Deixando apenas um rastro de poeira
E é esta poeira que cobre meus sapatos.

E o que direi para mim mesmo?
Já está sendo um monólogo difícil
O doce delírio de minha mente juvenil
Evaporou-se como gelo seco
E secos estão meus sentimentos
Molhados, só os meus olhos
Eu até tomaria um porre
Mas não seria nada original.

Aflaudisio Dantas

domingo, 19 de abril de 2009

Descoberta Fúnebre


Caminho por cima de toda a carniça.

Sinto na pele um calor intenso.

Protejo a boca com um lenço.

Não da poeira, mas, do cheiro ocre.



Fixo o olhar numa caveira,

Que decomposta jaz no chão.

Sinto o pulsar do seu coração,

Como se ainda tivesse vida.

Vejo a minha ruína esculpida,

Nesse rosto fétido e magro.

Continuo andando, mas, com cuidado.

Pois não quero sujar meus sapatos.



Olho novamente para o corpo magro.

Parece que antevejo meus infortúnios.

Sinto-me acometido por uma angústia,

Que se desenvolve no meu inconsciente,

Se fazendo aos poucos onipresente.

Quando noto, já estou envolto,

Num nevoeiro denso, incrivelmente escuro.

Desejo sair, uma saída procuro

Mas esbarro sempre na maldita caveira.

Que agora parece aprisionar-me,

Com seu olhar a me estremecer.



"Estarei louco?" Me indago num instante

Penso em gritar por socorro,

Mas, quando vou falar já não sinto a língua

Serpentear dentro da minha boca.

Também não vibram minhas cordas vocais.



Começo a correr, mas, correr para onde?

Onde quer que eu olhe é sempre a mesma cena.

Por um momento penso em Helena,

Que deve estar me esperando.

Mas, de repente, vejo Helena chorando,

Curvada sobre um caixão.

Corro para socorrê-la de tal aflição.

Mas fico paralisado ao chegar.

Instantaneamente desato a chorar.

Pois agora percebo o que se passa.



Vendo minha grande desgraça,

Amaldiçoo tudo o que há no mundo.

Sinto-me deveras inconformado,

Só me resta exlcamar desolado:

Oh! Meu Deus! Sou eu este defunto!



Aflaudisio Dantas
Crepúsculo

As esquinas me olham curiosas
Perscrutando aonde quero chegar.
As percorro, uma por uma.
Buscando o que?! Não me perguntes.
Ando lado a lado com a noite.
Entro nas mais lúgubres tavernas.
Tomo dos vinhos mais baratos.
Olho no fundo de cada copo vazio.
Quem sabe lá, vejo o teu rosto.

Minha busca é incessante.
O que busco?! Por Deus! Não perguntes!
Nem eu mesmo o sei.
E as esquinas?
Essas continuam a me fitar.
Não mais com curiosidade.
Mas, com uma compaixão enternecida!!!
As vezes penso que choram por mim.

Imagino que poderia tomar outro rumo.
Talvez eu imagine demais.
Agora mesmo enquanto concebo estes versos.
O tempo implacável se abate sobre mim.
Mas, eu continuo pensando.
Amaldiçoados sejam os que pensam.
Não se chateie com minha melancolia.
Apenas veja nos meus olhos,
Toda a desilusão de minha alma!
अफ्लौदिसियो Dantas