sábado, 18 de abril de 2009

Efemeridades II

Vejo o tempo escorrer pelas mãos de Deus.
A juventude abandonar o meu corpo.
Vejo o sorriso se esvair em tua boca.
Não consigo ouvir a tua voz rouca.

Os pássaros não encerram mais a madrugada.
Minhas manhãs, já não são açucaradas.
Minha língua hoje, não é agressiva.
Os teus lábios não são matéria viva.

O teu sarcasmo não atinge ninguém.
Nos meus bolsos, não verás um vintém.
À nossa frente, não existe um futuro.
Somos gado revirando o monturo

Não temos com quem partilhar nossas dores.
Mas, não procuramos novos amores.
Nos basta o Universo em preto e branco.
Nosso amor outrora forte, hoje é feio e manco!

Sonhamos com uma morada no Céu.
Dormindo eternamente num mausoléu.
O verme, que de tua carne se nutre.
Amanhã, será comida para os abutres!

Um comentário:

  1. kkk...Muito boa essa! Me lembrou "As Flores do Mal" de Charles Baudelaire.

    Uma composição,ao meu ver, no estilo dele.

    ResponderExcluir

manifeste-se