domingo, 19 de abril de 2009

Descoberta Fúnebre


Caminho por cima de toda a carniça.

Sinto na pele um calor intenso.

Protejo a boca com um lenço.

Não da poeira, mas, do cheiro ocre.



Fixo o olhar numa caveira,

Que decomposta jaz no chão.

Sinto o pulsar do seu coração,

Como se ainda tivesse vida.

Vejo a minha ruína esculpida,

Nesse rosto fétido e magro.

Continuo andando, mas, com cuidado.

Pois não quero sujar meus sapatos.



Olho novamente para o corpo magro.

Parece que antevejo meus infortúnios.

Sinto-me acometido por uma angústia,

Que se desenvolve no meu inconsciente,

Se fazendo aos poucos onipresente.

Quando noto, já estou envolto,

Num nevoeiro denso, incrivelmente escuro.

Desejo sair, uma saída procuro

Mas esbarro sempre na maldita caveira.

Que agora parece aprisionar-me,

Com seu olhar a me estremecer.



"Estarei louco?" Me indago num instante

Penso em gritar por socorro,

Mas, quando vou falar já não sinto a língua

Serpentear dentro da minha boca.

Também não vibram minhas cordas vocais.



Começo a correr, mas, correr para onde?

Onde quer que eu olhe é sempre a mesma cena.

Por um momento penso em Helena,

Que deve estar me esperando.

Mas, de repente, vejo Helena chorando,

Curvada sobre um caixão.

Corro para socorrê-la de tal aflição.

Mas fico paralisado ao chegar.

Instantaneamente desato a chorar.

Pois agora percebo o que se passa.



Vendo minha grande desgraça,

Amaldiçoo tudo o que há no mundo.

Sinto-me deveras inconformado,

Só me resta exlcamar desolado:

Oh! Meu Deus! Sou eu este defunto!



Aflaudisio Dantas

3 comentários:

  1. Realmente, a caveria representa o nosso futuro.

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  2. nossa, lindo texto!!
    vc msm que escreve?? ta de parabens entaooo... tem futuro
    rs

    bjoos

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  3. mto bacana teu blog..sucesso

    abraço do povo do furdunço no semafóro

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