quarta-feira, 17 de junho de 2009

Não Chore por mim

Quando eu for embora,
Não chore por mim
Não mereço tanta consideração.
Sou apenas um vulto que você viu na parede.
Nada mais.
Eu sou efêmero como a brisa,
Que acariciou o teu belo rosto, mas, logo foi embora
Eu sou a flor que adornava teu cabelo
Mas logo murchou, perdeu vida, beleza
E caiu no esquecimento.

Quando eu for embora, não chore por mim
Não gaste comigo as lágrimas,
Que estão transbordando em tua face
Não mereço o carinho dessas mãos trêmulas
Que seguram com firmeza, minha mão gelada

Eu não sou teu amigo.
Eu não sou teu amor.
Tão pouco sou teu irmão.

Eu sou trevas,
Eu sou luz,
Eu sou a melodia,
Mas também sou o silêncio.
Eu sou a cruz que abrigou Jesus,
Nas suas derradeiras horas de sofrimento.

Eu sou aquilo que você não foi,
Mas se quisesse,
Poderia ter sido.
Eu sou a paixão ardente,
Que nem chega a ser amor!
Eu sou um livro
Na estante esquecido.
Eu sou um roseiral que há muito murchou.

Por isso quando eu morrer, não chore por mim.

Aflaudisio Dantas

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Oração do Desespero

Deus me livre do zumbido
Que veio perturbar meu sossego.
Deus me livre do mendigo,
Que cobiça minha carteira.
Deus me livre da vizinha,
Que vive a vomitar asneiras.
Deus me livre do imposto,
Que faz sucumbir minha renda.
Deus me livre da sogra,
Essa desgraça horrenda.
Deus me livre do bastardo,
Afanador de pensões.
Deus me livre do infarte,
Assassino de corações.
Deus me livre da cirrose,
Que engulo com a cachaça.
Deus me livre da piada,
Que não me fez achar graça.
Deus me livre da menoridade,
Que ainda me aprisiona.
Mas também me livre do mundo.
Deus me livre da Vergonha.
Deus me livre do Destino,
Que teima em controlar meus passos.
Deus me livre do pária ,
Que me trai com mil abraços.
Deus me livre da agonia diária,
Que ao ser humano é inerente.
Deus me livre da cefaléia .
E também da dor de dente.

Aflaudisio Dantas

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Delírio Consciente


Delírio meu olhar-te assim. Como um pirata cobiçando um tesouro. Mas, a culpa é toda sua. Pois, com teus modos delicados conseguiu afetar-me por completo. Penso em você durante as vinte e quatro horas do dia. No banho, nas minhas orações, até mesmo durante os jogos do Vasco. Você preencheu os vazios que se faziam presentes em meu ser. E eu nem preciso tocar-te, basta contemplar a tua beleza incomensurável.

Meu coração palpita no ritmo de teus passos. Meus olhos acompanham aflitos o rebolar dos teus quadris. Meu sangue ferve, e meu rosto se ruboriza ao sentir a sua presença. Você veio animar meu carnaval em plena quarta-feira de cinzas. E para isso nem precisou usar confetes.

É realmente muito estranho. Ainda outro dia, você era uma ilustre desconhecida perambulando a periferia dos meus pensamentos. Hoje, você é o ícone maior da minha existência. Qual é a sua mágica?

Talvez sejam esses olhos castanhos que me fitam curiosos. Quem sabe esse sorriso acolhedor que me transforma em criança novamente. Bem podia ser a tua pele morena povoada por singelos pêlos loiros. Ou ainda os teus lábios carnudos, sempre convidativos a um beijo. É difícil descobrir. Mas, quem tem o principal dispensa os acessórios. Não importa o motivo desse meu fascínio. Importante é que você continue ao meu lado, porque eu te amo!


Para a morena mais linda que já cruzou o meu caminho.

Aflaudisio Dantas

sexta-feira, 29 de maio de 2009


Descoberta Fúnebre

Caminho por cima de toda a carniça.
Sinto na pele um calor intenso.
Protejo a boca com um lenço.
Não da poeira, mas, do cheiro ocre.

Fixo o olhar numa caveira,
Que decomposta jaz no chão.
Sinto o pulsar do seu coração,
Como se ainda tivesse vida.
Vejo a minha ruína esculpida,
Nesse rosto fétido e magro.
Continuo andando, mas, com cuidado.
Pois não quero sujar meus sapatos.

Olho novamente para o corpo magro.
Parece que antevejo meus infortúnios.
Sinto-me acometido por uma angústia,
Que se desenvolve no meu inconsciente,
Se fazendo aos poucos onipresente.
Quando noto, já estou envolto,
Num nevoeiro denso, incrivelmente escuro.
Desejo sair, uma saída procuro
Mas esbarro sempre na maldita caveira.
Que agora parece aprisionar-me,
Com seu olhar a me estremecer.

"Estarei louco?" Me indago num instante
Penso em gritar por socorro,
Mas, quando vou falar já não sinto a língua
Serpentear dentro da minha boca.
Também não vibram minhas cordas vocais.

Começo a correr, mas, correr para onde?
Onde quer que eu olhe é sempre a mesma cena.
Por um momento penso em Helena,
Que deve estar me esperando.
Mas, de repente, vejo Helena chorando,
Curvada sobre um caixão.
Corro para socorrê-la de tal aflição.
Mas fico paralisado ao chegar.
Instantaneamente desato a chorar.
Pois agora percebo o que se passa.

Vendo minha grande desgraça,
Amaldiçoo tudo o que há no mundo.
Sinto-me deveras inconformado,
Só me resta exlcamar desolado:
Oh! Meu Deus! Sou eu este defunto!

Aflaudisio Dantas

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Lágrimas de Deus

Já estava ali a muito tempo e nada acontecia. Três ônibus já haviam chegado e em nenhum deles ela veio. A chuva comecara a engrossar e penetrava pelas folhas da copa da árvore, indo bater direto em seu rosto, escorrendo pela sua face, embaçando seus óculos. De súbito, uma pequena lágrima brotou no canto do seu olho; mas era tão tímida que mal poderia ser notada. Mas, como se fosse combinado,à medida que a chuva ia aumentando, suas lágrimas também aumentaram.
Estava com o coração destroçado, só o que podia fazer era chorar.Por ser introvertido, ficou com receio de que as outras pessoas percebessem que estava chorando. Tentou então de todas as maneiras disfarçar o choro e obteve um certo êxito.
E enquanto chovia, ele ficou sentado esperando, mesmo sabendo que seria em vão.Subitamente percebeu que num banco próximo ao seu tinha um senhor também sentado a lhe observar. Foi então que este senhor, de cabelos grisalhos inclinou-se e fez a seguinte pergunta:
_Por quê está chorando meu filho?
Ele então respondeu visivelmente contrangido:
_Não estou chorando. É apenas a água da chuva que cai sobre meus olhos e escorre pelo meu rosto.
O velho respondeu:
_Não precisa ficar envegonhado meu filho. Eu também já fui jovem, sei como se sente. Pois um dia, há muito tempo, eu fiquei esperando por uma pessoa que era muito importante para mim. Infelizmente ela não apareceu. Só o que pude fazer foi chorar. Minha tristeza era tão grande que até Deus chorou comigo,exatamente como agora.
Aflaudisio Dantas

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Redenção

De forma assustadora,
Invadiu todo o meu ser.
Redirecionou o sentido ,
Da minha existência.
Fez meu coração débil e gelado,
Se transformar num ser com vida própria
Meus dias que eram cinzentos,
Tornaram-se multicoloridos.
Minhas músicas melancólicas,
Ficaram mais alegres.

Fizeste revolução dentro de mim.
Da minha alma até a carcaça.
E quando tudo já era diferente,
O céu já não estava nublado,
E as flores não murchavam mais:
Sob o véu da covardia
Tu me abandonaste.

Nem ao menos foste sincera,
Nem me deste satisfação.
Apenas, virou as costas.
E à medida em que te afastavas,
Tudo ia desabando.

Os dias que antes eram cinzentos,
Agora são negros por completo.
No lugar do céu nublado,
Cai uma chuva torrencial.
Mas, o que não mata fortalece.
E desse mal não morrerei.
Assim como fui abandonado,
Abandonarei também este mundo esquizofrênico...

Aflaudisio Dantas

sábado, 23 de maio de 2009


Melancolia Paranóica

Sozinho na imensidão do seu quarto.
Olhando para qualquer lado.
Não consegue ver as estrelas.
Mas, se contenta com o telhado
A fome bate em sua barriga.
Nenhuma mulher bate em sua porta.
Apesar dos dias nebulosos,
Faz tempo que não chove em sua horta.

Já foi rebelde sem causa,
E até crente sem religião.
Já foi um homem alegre.
Porém hoje não tem satisfação.
Sente o tédio lhe comer inteiro,
Até os confins de sua alma.
Tem vontade de se matar,
Mas pra isso coragem lhe falta.

Aflaudisio Dantas

sexta-feira, 22 de maio de 2009

É só o Fim

Onde estão nossos amigos?
Por quê nenhum deles veio nos ajudar?
Aonde foram nossas garotas?
Nenhuma delas veio nos consolar.

Estamos sempre tão sozinhos
Parece que o mundo se esqueceu de nós
A realidade? Ah!Ela é tristonha e dura
Já não há saída estamos sós.

Para que remar contra a maré?
Se não chegaremos a nenhum lugar!?
Para que lutar? Para que ter fé!?
Se já não temos em que acreditar!?

Esse caminho é tão comprido
Quem foi por ele já se arrependeu
Vamos nos entregar ao inimigo
É bem melhor do que se entregar a Deus.

Aflaudisio Dantas

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Indagações

Para que falar de flores?
Se a seca mata mais
Do que os canhões.
Para que falar de amor?
Nem só de sentimentalismos
Vivem os corações.

Para que falar de sexo?
Quem tem fome,
Não consegue ter ereção.
Excitado o miserável só fica,
Quando vê a sua frente
Um pedaço de pão.

Para que olhar o Céu?
E amargamente agradecer,
O pão nosso de cada dia?
Se o pão mofado,
Que agora comemos,
Só faz aumentar nossa agonia.

Aflaudisio Dantas

terça-feira, 19 de maio de 2009


O texto a seguir pe fruto de um trabalho da faculdade e é o esboço de um perfil de uma grande amiga. Espero que gostem dela.
Uma Surpresa Agradável


Quando a conheci eu tinha uma imagem bem diferente a seu respeito. Enquanto escrevo este perfil, imagino como as pessoas podem nos surpreender com extrema facilidade. A garota introspectiva que eu percebi a princípio, aos poucos, deu lugar a uma mulher “descolada” que sabe aonde quer chegar. Mas, nem por isso deixa de ter as suas dúvidas. O gosto pela profissão que pretende exercer, não é suficiente para aplacar as incertezas que um mercado de trabalho tão competitivo lhe impõem. Essa é Waleska de Fátima Ferreira de Mesquita.
Waleska mora no bairro de Antonio Bezerra e é torcedora ardorosa do Ceará. Todos os dias sai de sua casa com destino a faculdade. Durante boa parte da noite, assiste a aulas que lhe preparam para ser uma grande jornalista. Atuar nessa área é seu grande sonho, mas quem a vê tão compenetrada na sala de aula não imagina que outros anseios já habitaram a sua cabeça.
Quando criança, Waleska tinha um anseio que não é muito comum entre as garotas. Aliás, esse sonho encanta muitos meninos Brasil afora. Ela desejava ser oficial da Aeronáutica. Perseguiu esse objetivo de forma tenaz até a sua adolescência. Tanto fascínio pelas forças armadas tem explicação. Sua mãe sempre teve o sonho de ver um filho seu como oficial do Exército. Como Wellington, irmão de waleska nunca quis esse futuro para si, dona Francisca transferiu essa perspectiva para a filha. Além de sua mãe, um grande amigo, chamado Roberto, que era policial militar, por muito tempo alimentou essa utopia no íntimo da garota. Contudo, a garotinha cresceu e adquiriu uma personalidade muito forte, como eu mesmo já pude constatar. Hoje o sonho de ser militar é apenas uma lembrança saudosa de seu amigo Roberto, que faleceu a alguns anos. Waleska resolveu seguir caminho por outros campos de batalha, e empunhar outra bandeira: a da ética no jornalismo.

Aflaudisio Dantas

sábado, 16 de maio de 2009

1984:Uma obra visionária


1984:Uma obra visionária

Este livro é com certeza uma das distopias mais contundentes do século XX. Com uma linguagem até certo ponto rebuscada, o livro tem uma leitura difícil, mas mesmo assim ,prende a atenção do leitor até o fim. Escrito em 1948, o título se deve à inversão dos dois últimos dígitos do ano em que foi concebido.
Sem dúvida, 1984 foi o grande êxito de George Orwell, que também é autor de A Revolução dos Bichos, que possui uma temática muito parecida. Para entender melhor qual a mensagem que o autor queria transmitir com 1984, é preciso estar atento ao fato de que George Orwell era comunista assumido. Por muito tempo, foi defensor aguerrido da Revolução Russa.
Certa vez, em meados dos anos quarenta, Orwell, então respeitado jonalista e escritor no mundo inteiro, eminente intelectual de esquerda, foi convidado por Stalin a fazer uma visita a União Soviética. A intenção era fazer propaganda em prol do Socialismo soviético. Teve o efeito inverso.
George Orwell ficou estarrecido com o pouco que presenciou. Não conheço relatos de outra visita de Orwell ao quintal de Stalin. Assim que chegou em Londres, começou a alimentar a idéia de escrever um romance. Começava a nascer o que viria a ser uma das maiores obras literárias do século XX. Mas, voltemos ao livro.
A obra mostra atraves da ótica de um homem solitário e desiludido com o mundo, uma sociedade corrompida e totalmente controlada pelo Partido. Isso lembra algum país? Impossível não associar essa descrição a União Soviética.
Mas é preciso ressaltar que, a crítica de Orwell, se referia não só ao Stalinismo, mas sim a todo regime opressor que através do poder interfere na vida do povo em prol de benefícios obscuros.
Nesse mundo desenhado pelo autor, o planeta é dividido em três grandes super potências: Eurásia, Lestásia e Oceania. As três potencias vivem em guerra constante. Winston Smith personagem central da história, vive na Oceania. Trabalha como funcionário do governo e é um eterno questionador. Mas ele tem muito medo que descubram tudo o que pensa. Pois, apesar de pensar não ser crime, não é prudente formular qualquer tipo de pensamento. Ainda mais, quando se é contra o Partido e a figura do Grande Irmão (quem não conhece o Grande Irmão vai ter que ler o livro).Qualquer um que contrarie os ideais defendidos pelo Partido e encarnados no Grande Irmão é punido com a Morte.
Em sua obra, Orwell traz sérios questionamentos sobre o caráter dos regimes totalitários sobretudo o Socialista soviético. Leitura obrigatória, um livro fantástico que merece ser lido várias vezes, eu já li duas. E pretendo ler mais. Espero que outras pessoas que não tenham lido, se sintam instigadas a fazer essa leitura. Vale cada minuto.

Aflaudisio Dantas

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sua Ùnica Defesa

Sabe quando não sentimos mais o chão?
È. Eu me sinto assim agora.
O sangue corre em minhas artérias,
Mas não o sinto circulando.
Sinto apenas, minhas veias se arrebentando.
Jorrando água vermelha em toda a Natureza.
Me perguntaste se era divertido,
Passear pelo lado negro da Lua.
Não é, mas você pode conversar consigo mesmo.
Quem sabe conhecer-se um pouco melhor.
Nem precisa injetar toda essa heroína,
Deixe a Solidão fazer tudo por você.
Também é desnecessário beber,
Todo o álcool que tiver nesse mundo.
Basta apenas olhar no fundo,
De onde vem toda a tristeza.
Faça desse mal uma fortaleza,
Impenetrável até para o ladrão astuto.
Se abrigue debaixo das suas dores.
Canalize sua raiva intensa.
Tome por escudo os seus rancores.
Nada fere mais do que a palavra,
Pois somente ela penetra os corações.

Aflaudisio Dantas

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Ato Final

Um beija-flor de metal paira no ar.
È chegado o momento decisivo.
Trombetas gritam,
Em bmols e sustenidos.
Começou o ato final!
Extingue-se agora,
A luta do Bem contra o Mal.
Todo maniqueísmo deve desaparecer.
Olhe para o Céu,contemple-o
Testemunhe a grande Metamorfose.
Uma vida que nasce,
Milhões de vidas que morrem!
Começou o ato final!
O beija-flor de metal,
Inicia o epílogo da História.
E já não há espaço para dor ou glória,
De alguns seres egoístas.
Pois num sacrifício altruísta,
O beija-flor despeja seus ovos,
Por cima das nossas cabeças.
E os ovos jamais serão filhotes.
Mas, grandes rosas flamejantes,
Que iluminarão todo o anoitecer,
Em clarões vigorosos.
Para delírio dos anjos trombeteiros,
Que fazem desaparecer um mal passageiro,
Nesse momento tão decisivo.
Farão surgir em seu lugar,
O grande Mal definitivo!

Aflaudisio Dantas

terça-feira, 12 de maio de 2009

Semi-Platônico



Meus olhos saltam espantados,

Com a divina leveza de teu ser.

Minhas negras pupilas dilataram-se,

Ante o brilho que emana de ti.




Os meus pêlos ficaram eriçados,

Ao percorrer tuas curvas sinuosas.

Minha alma se regozija,

Com tua presença contundente.




Meus pulmões pulsam agradecidos,

Por respirar o teu perfume.

Meu instinto animal se liberta,

Ao tocar tua carne macia.




Mas, você se sobressalta,

Quando teus olhos cruzam os meus.

Ante brincadeira tão perigosa,

Só nos resta dizer : Adeus!




Aflaudisio Dantas

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Grande Criador


Aquela flor parece tão vigorosa.
Veja! Está sorrindo para mim.
Suas pétalas macias, balançam ao vento.
Esse mesmo vento,
Irá despedaçá-las
E que belo pássaro na campina!?
Orquestra sinfônica da Natureza.
Primor musical de nossas manhãs e ...
E prato predileto dos gatinhos.

O cão, melhor amigo do Homem.
Lealdade a toda prova!
Mas, no primeiro deslize
Seu destino é o desterro, ou a cova

A Vaca, solícita nos amamenta
Altruísmo maior, nunca houve.
Em troca as alimentamos.
Para sacrificá-las no açougue.

E o Homem? Que bela personificação,
Do invencionismo da Natureza!
Dotado de genialidade contumaz.
Porém, o criador com tristeza olha a cria.
A humanidade é o predador mais voraz!


Aflaudisio Dantas

sábado, 25 de abril de 2009

Minha Desgraça

No êxtase letal dos apaixonados,
Na sofreguidão piegas dos românticos,
Na ânsia sublime dos poetas,
A procura do Amor verdadeiro.
Nem é preciso sonhá-lo por inteiro.
Se ao cabo da mais vaga lembrança,
Enche-se logo o peito de esperança.
E o olhar de felicidade.

E o olhar de felicidade,
Fita o amor que se aproxima.
Devagarzinho, rima após rima,
Vai fitando o Amor, o poeta,
E por ele sendo fitado.
Descobre então alucinado
A desgraça que o cerca.

A desgraça que o cerca,
Chegou sorrateiramente.
Envenenou corações e mentes
Transformou a vida num azedume!
E não é apenas o abjeto ciúme,
Que cria monstros na cabeça
É uma voz sinistra que diz:"Enlouqueça!
Pois você está apaixonado."

Aflaudisio Dantas

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Efemeridades

É a palavra que fere.
O gesto que humilha.
A angústia que entristece.
A ira que mata.
É o piromaníaco,
Que a alma incendeia,
O corpo incinera,
E o sentimento extermina.
É a alegria passageira.
Ou quem sabe a dor eterna.
É a outra metade.
O lado negro da Lua.
É aquela mulher nua.
Que estimula o teu gozo.
É o sêmen perdido,
Numa masturbação.
É o teu coração.
Que agora bate mais forte ,
Como se estivesse a fugir ...
A fugir da Morte!

Aflaudisio Dantas

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Toque de Recolher: Solução ou Paliativo?

Um dos principais direitos que a Constituição Federal garante ao cidadão brasileiro é o direito de ir e vir, e de livre locomoção dentro do território nacional. Um direito considerado universal. Entretanto, no interior do estado de São Paulo, um fato digamos, no mínimo inconveniente virou notícia: foi decretado um toque de recolher para menores de idade. Tenho plena certeza que os juízes que decretaram tal lei são profundos conhecedores da Constituição. Conseqüentemente, sabem que ao baixar tal decreto estão violando o direito mencionado acima. O que convém perguntar é: por quê?
Foi alegado pelos juízes das três cidades e pelos conselheiros tutelares que, essa medida se faz necessária para coibir a violência. Segundo eles, grande parte dos crimes cometidos nessa região é de autoria de menores. Será que esse fato mesmo com toda a gravidade que acarreta, é suficiente para justificar a quebra de um dos princípios de nossa Constituição? Não creio. Essa medida nada mais é do que um paliativo, que pode dar algum resultado imediato, mas a longo prazo não resolve o problema.
Isso nada mais é do que uma tentativa desesperada de tapar o buraco causado pela ausência do Estado tão competente em arrecadar impostos, mas incapaz de promover políticas públicas direcionadas para a juventude. Não culpo os “agentes da lei” que tomaram a decisão de instaurar o toque de recolher. Seria injusto fazer isso. Eles apenas estão usando os instrumentos de que dispõem para tentar amenizar a criminalidade. A culpa é dos nossos representantes políticos (e não me refiro ao governo Lula), pois esse problema nos atormenta a décadas. Entra governo sai governo e o que aparece são promessas e mais promessas, mas pouco de concreto tem sido feito. Não é cerceando a liberdade individual dos jovens que se diminui a violência, mas sim, se prevenindo contra a criminalidade.
Essa é a minha opinião.

Aflaudisio Dantas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quimera

Em cada esquina vejo uma ameaça.
Em cada sinal uma súplica.
Em cada sertão a mesma cara de dor.

A Fome é uma ave democrática.
Pois dá seu voo razante
Por todas as cercanias.

Filha primogênita da Injustiça.
Prima legítima da Violência.
Amiga leal do abandono.

Quando pensamos que chegou ao limite
Ela nos mostra impassível,
Que sempre pode piorar.
Não é só pessimismo,
É a pura realidade.

Aflaudisio Dantas

terça-feira, 21 de abril de 2009

Antítese Psicótica

As estalactites do meu coração,
Se sobrepôem de forma veemente,
Às estalagmites de minha alma.

Estalactites e estalagmites.
Duas forças antagônicas do meu ser.
Vivem a brigar de forma feroz.
É o Sol brigando com seus arrebóis.

Ódio, Amor, Ego, Super-ego.
Delirío senil, comiseração.
Aranha duelando com escorpião.
O errado corrompendo o certo.

O elogio doce, contra a palavra bruta.
A vontade de ser Deus,
E o castigo de ser Judas.
Tudo resolvido entrementes.

Em vão procuro a calmaria.
Mas, esbarro sempre no mar de fantasias
De minhas psicoses dementes.

Aflaudisio Dantas

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Espelho d'alma


Depois da bonança,
Sempre vem a tempestade
As flores murcham,
Porque o tempo as consome.
Se agora choramos, é porque
Pagamos alguma antiga alegria.

Não gostamos de nos banhar,
Quando a água é muito fria.
Não nos apaixonamos,
Com medo de perder a razão.
Quanto mais comemos,
Mais nos acomete a fome.

Quanto mais dinheiro ganhamos,
Mais ele nos consome.
No quintal vizinho,
A grama é sempre verde.
O olhar de um estranho,
Não nos parece cordial.

O pitoresco de hoje,
Amanhã será o trivial.
As inquietudes que me afetam,
Sequer rondam a tua cabeça.
Mas, o olhar daquele estranho,
Sempre reflete o mal.

E se porventura não sabes.
Faz-se urgente saber:
O olho que reflete o mal,
Está olhando para você!

Aflaudisio Dantas
Monólogo Sentimentaloide

Os olhares não se cruzam mais
As teias de aranha se desmancharam
O voluptuoso sonho que eu nutria,
Deu lugar a tenebrosa realidade
Nem sequer despediu-se de mim
Foi-se veloz, num só galope
Deixando apenas um rastro de poeira
E é esta poeira que cobre meus sapatos.

E o que direi para mim mesmo?
Já está sendo um monólogo difícil
O doce delírio de minha mente juvenil
Evaporou-se como gelo seco
E secos estão meus sentimentos
Molhados, só os meus olhos
Eu até tomaria um porre
Mas não seria nada original.

Aflaudisio Dantas

domingo, 19 de abril de 2009

Descoberta Fúnebre


Caminho por cima de toda a carniça.

Sinto na pele um calor intenso.

Protejo a boca com um lenço.

Não da poeira, mas, do cheiro ocre.



Fixo o olhar numa caveira,

Que decomposta jaz no chão.

Sinto o pulsar do seu coração,

Como se ainda tivesse vida.

Vejo a minha ruína esculpida,

Nesse rosto fétido e magro.

Continuo andando, mas, com cuidado.

Pois não quero sujar meus sapatos.



Olho novamente para o corpo magro.

Parece que antevejo meus infortúnios.

Sinto-me acometido por uma angústia,

Que se desenvolve no meu inconsciente,

Se fazendo aos poucos onipresente.

Quando noto, já estou envolto,

Num nevoeiro denso, incrivelmente escuro.

Desejo sair, uma saída procuro

Mas esbarro sempre na maldita caveira.

Que agora parece aprisionar-me,

Com seu olhar a me estremecer.



"Estarei louco?" Me indago num instante

Penso em gritar por socorro,

Mas, quando vou falar já não sinto a língua

Serpentear dentro da minha boca.

Também não vibram minhas cordas vocais.



Começo a correr, mas, correr para onde?

Onde quer que eu olhe é sempre a mesma cena.

Por um momento penso em Helena,

Que deve estar me esperando.

Mas, de repente, vejo Helena chorando,

Curvada sobre um caixão.

Corro para socorrê-la de tal aflição.

Mas fico paralisado ao chegar.

Instantaneamente desato a chorar.

Pois agora percebo o que se passa.



Vendo minha grande desgraça,

Amaldiçoo tudo o que há no mundo.

Sinto-me deveras inconformado,

Só me resta exlcamar desolado:

Oh! Meu Deus! Sou eu este defunto!



Aflaudisio Dantas
Crepúsculo

As esquinas me olham curiosas
Perscrutando aonde quero chegar.
As percorro, uma por uma.
Buscando o que?! Não me perguntes.
Ando lado a lado com a noite.
Entro nas mais lúgubres tavernas.
Tomo dos vinhos mais baratos.
Olho no fundo de cada copo vazio.
Quem sabe lá, vejo o teu rosto.

Minha busca é incessante.
O que busco?! Por Deus! Não perguntes!
Nem eu mesmo o sei.
E as esquinas?
Essas continuam a me fitar.
Não mais com curiosidade.
Mas, com uma compaixão enternecida!!!
As vezes penso que choram por mim.

Imagino que poderia tomar outro rumo.
Talvez eu imagine demais.
Agora mesmo enquanto concebo estes versos.
O tempo implacável se abate sobre mim.
Mas, eu continuo pensando.
Amaldiçoados sejam os que pensam.
Não se chateie com minha melancolia.
Apenas veja nos meus olhos,
Toda a desilusão de minha alma!
अफ्लौदिसियो Dantas

sábado, 18 de abril de 2009

Efemeridades II

Vejo o tempo escorrer pelas mãos de Deus.
A juventude abandonar o meu corpo.
Vejo o sorriso se esvair em tua boca.
Não consigo ouvir a tua voz rouca.

Os pássaros não encerram mais a madrugada.
Minhas manhãs, já não são açucaradas.
Minha língua hoje, não é agressiva.
Os teus lábios não são matéria viva.

O teu sarcasmo não atinge ninguém.
Nos meus bolsos, não verás um vintém.
À nossa frente, não existe um futuro.
Somos gado revirando o monturo

Não temos com quem partilhar nossas dores.
Mas, não procuramos novos amores.
Nos basta o Universo em preto e branco.
Nosso amor outrora forte, hoje é feio e manco!

Sonhamos com uma morada no Céu.
Dormindo eternamente num mausoléu.
O verme, que de tua carne se nutre.
Amanhã, será comida para os abutres!