Fatos escabrosos se passam no Brasil. Os grandes veículos de comunicação dão destaque a denúncias sem provas. Alguns princípos básicos do bom jornalismo como por exemplo, apresentar provas e não publicar matérias sem a devida apuração, não estão sendo respeitadas.Tão pouco o direito de resposta, que é essencial na imprensa de um país democrático está sendo permitido a quem dele precisa.

O ministro do esporte Orlando Silva resiste o quanto pode. Se apega com todas as suas forças ao cargo que herdou de Agnelo Queiróz. O fato é que gente dentro do próprio governo quer a sua derrubada. Mas não agora e sim em 2012. Se ele sair agora o cargo será ocupado por alguém do seu partido. Se a sua saída acontecer na próxima reforma ministerial, o que já é dado como certo, o cargo iria pra uma partido aliado mais influente em termos de poder político.Sendo assim todos torcem pra que ele resista, mas só até janeiro, por que ninguém é besta de perder o "filezinho da vez".
As denúncias e esses jogos políticos já são lugares-comuns na política brasileira.O que preocupa é o caráter denuncista das matérias veiculadas. A revista Veja mais uma vez traz à tona um suposto esquema de corrupção(por que será?). Sua principal fonte é o policial militar João Dias Ferreira. Ele acusa o ministro do esporte de comandar um esquema de favorecimento de Ongs em convênios promovidos pelo ministério. Só pra variar né?
João Dias chegou a afirmar que sabia que o ministro recebia dinheiro de Ongs favorecidas na garagem do Ministério do Esporte em Brasília. A revista Veja comprou a história. Deu destaque em um dos seus números semanais. E deu enfase às afirmações do "delator". Acontece que, até agora o acusador não mostra prova alguma que incrimine o ministro. Para não passar por caluniador trouxe ao conhecimento público gravações de conversas suas com supostos funcionários da pasta de Orlando Silva. E ontem, 24, afirmou em depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Brasília que, não tem provas do envolvimento direto do ministro. Não sei por que não estou surpreso.
E agora? Como fica isso? A revista Veja deu ampla credibilidade a história do policial com o claro intuito de enfraquecer o governo Dilma. Será que essa revista imparcial admitirá publicamente o seu erro? Agora todas as acusações contra o ministro mostram-se sem fundamento e credibilidade. E mais uma vez o bom jornalismo foi deixado em segundo plano.
Entendendo o contexto
A revista Veja, edição do primeiro final de semana de outubro traz na matéria de capa denúncias feitas pelo policial João Dias Ferreira. Segundo o policial, Orlando Silva seria o mentor e beneficiário de um esquema de pagamento de propina. Ongs que possuem convênio com o programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, pagariam uma porcentagem ao ministro uma porcentagem do dinheiro repassado a elas..
João Dias diz é acusado de ter sido beneficiado com irregularidades no mesmo programa do Ministério do Esporte que ele agora denuncia. Passou cinco dias preso em abril de 2010 por suspeitas de irregularidades nas academias das quais é proprietário. O Ministério do Esporte cobra uma dívida de R$ 3 milhões. Esse dinheiro havia sido repassado pelo próprio ministério que agora exige devolução por má aplicação do dinheiro recebido. O policial militar é ex-militante do PC do B, mesmo partido de Orlando Silva.