terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Reino da Intolerância

Dizem que no Brasil não existe preconceito. Mas o fato é que aqui é o reino da intolerância. Mal o presidente Lula recebeu o diagnóstico de um cãncer na laringe e já começou o escárnio nacional.

Sempre que vemos alguém doente ainda mais com um câncer tendemos a nos comover, desejamos que a pessoa se recupere. Isso quando o enfermo não suscita paixão e ódio. E sendo uma figura emblemática como Lula as reações foram as mais extremas.

Uma amiga do Facebook postou o seguinte comentário no grupo da faculdade onde nós dois estudamos:
"Não desejo o mal de ninguém.A doença de Lula é a prova viva das leis de Deus (sic) .Não devemos usar o dom que Deus nos deu para serviço do mal.Foi o que Lula fez.Usou seu dom da oratória e sua mente brilhante, para ludibriar, enganar,se locupletar, disseminar práticas criminosas como a corrupção e a taxa de sucesso entre seu povo como hábito corriqueiro e típico da nossa cultura.Deus é tão bom que com esta doença do câncer na sua garganta ele possa refletir e melhorar-se."
Não sou um lulista, muito menos petista. Mas tenho sensibilidade e consciência para perceber o quanto foi infeliz esse comentário. E como sou mesmo chegado numa polêmica rechacei com outro post no mesmo grupo. Começou uma discussão onde a insólita articulista da desgraça alheia defendia sua opinião com o batido, porém legítimo discurso da liberdade de expressão. Dizia ela que isso é democracia. Sendo assim, exerci com vigor o meu direito a liberdade de expressão também. A pessoa tão libertária ainda me deleta do Facebook, o que pra mim não faz diferença. Realmente, muito senso democrático ela tem.
Independente de ideologia político-partidária o que importa nessas horas é a solidariedade. Somos humanos (ou não)! Me pergunto se essas pessoas que destilam sua sanha contra Lula nesse momento agiriam de maneira tão enérgica se fosse um ente querido seu. E não me refiro apenas a essa pessoa em particular não. Mas sim aos milhares que estão escarniando o câncer de um cara que antes de ser político é ser humano. A falácia mais poppular é de que Lula por ser ex- presidente e defender o SUS no seu governo devia ir se tratar no mesmo. Um absurdo sem lógica e sem inteligência. Clique aqui e saiba por que:http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2011/10/29/lula_e_o_sus_hipocrisia/#comments
Bom senso não faz mal a ninguém e numa hora como essas é o mais indicado a se usar. Prefiro isso no lugar de piadas de mal gosto com o pretenso rótulo da liberdade de expressão.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Presidiários têm direito a benefício superior ao salário mínimo

Se você não conhecia, eu apresento o auxílio-reclusão. O benefício é permitido enquanto o segurado estiver recolhido em regime fechado ou semi-aberto. Quanto ao valor, pasmem os senhores: o valor é de R$ 810,00. A legislação não especifica se o benefício é por dependente ou não. Portanto, qualquer advogado esperto pode pleitear que o valor seja proporcional a quantidade de filhos de seu cliente. Ou seja, essa pensão dobrar se o "nobre recluso" tiver dois filhos.

Só para fazer um comparativo vamos pegar o salário-familia. O salário-família é um benefício concedido a trabalhadores de carteira assinada e avulsos. O valor é de 29,43 para quem ganha até R$573,92. Realmente,  uma fortuna. No popular beco da poeira, aqui em Fortaleza pode-se até comprar uma calça ou um par de sandálias com essa bagatela.

Não é que eu seja contra a assistência social a família do presidiário. Sua esposa e prole não tem culpa pelos desvios de conduta do pai. Mas, a pergunta que incomoda é: por que o Estado concede um benefício superior ao salário mínimo sem cobrar nenhuma contrapartida. São raros os presídios em que os presos trabalham ou pelo menos passam por algum tipo de formação. E quando isso ocorre é quase sempre pela iniciativa privada ou através de Ongs. 

Não é novidade para ninguém que os presos costumam sair das prisões com a mesma propensão para o crime de quando entraram. Então já que o presidiário  pode pleitear esse direito, por que não concedê-lo junto com uma oferta de trabalho? Isso é só uma sugestão.Se houver boa vontade do poder público muito mais pode ser feito. 


terça-feira, 25 de outubro de 2011

O denuncismo da imprensa

Fatos escabrosos se passam no Brasil. Os grandes veículos de comunicação dão destaque a denúncias sem provas. Alguns princípos básicos do bom jornalismo como por exemplo, apresentar provas e não publicar matérias sem a devida apuração, não estão sendo respeitadas.Tão pouco o direito de resposta, que é essencial na imprensa de um país democrático está sendo permitido a quem dele precisa.

O ministro do esporte Orlando Silva resiste o quanto pode. Se apega com todas as suas forças ao cargo que herdou de Agnelo Queiróz. O fato é que gente dentro do próprio governo quer a sua derrubada. Mas não agora e sim em 2012. Se ele sair agora o cargo será ocupado por alguém do seu partido. Se a sua saída acontecer na próxima reforma ministerial, o que já é dado como certo, o cargo iria pra uma partido aliado mais influente em termos de poder político.Sendo assim todos torcem pra que ele resista, mas só até janeiro, por que ninguém é besta de perder o "filezinho da vez".

As denúncias e esses jogos políticos  já são lugares-comuns na política brasileira.O que preocupa é o caráter denuncista das matérias veiculadas. A revista Veja mais uma vez traz à tona um suposto esquema de corrupção(por que será?). Sua principal fonte é o policial militar João Dias Ferreira. Ele acusa o ministro do esporte de comandar um esquema de favorecimento de Ongs em convênios promovidos pelo ministério. Só pra variar né?

João Dias chegou a afirmar que sabia que o ministro recebia dinheiro de Ongs favorecidas na garagem do Ministério do Esporte em Brasília. A revista Veja comprou a história. Deu destaque em um dos seus números semanais. E deu enfase às afirmações do "delator". Acontece que, até agora o acusador não mostra prova alguma que incrimine o ministro. Para não passar por caluniador trouxe ao conhecimento público gravações de conversas suas com supostos funcionários da pasta de Orlando Silva. E ontem, 24, afirmou em depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Brasília que, não tem provas do envolvimento direto do ministro. Não sei por que não estou surpreso.


E agora? Como fica isso? A revista Veja  deu ampla credibilidade a história do policial com o claro intuito de enfraquecer o governo Dilma. Será que essa revista imparcial admitirá publicamente o seu erro?  Agora todas as acusações contra o ministro mostram-se sem fundamento e credibilidade. E mais uma vez o bom jornalismo foi deixado em segundo plano.

Entendendo o contexto

 A revista Veja, edição do primeiro final de semana de outubro traz na matéria de capa denúncias feitas pelo policial João Dias Ferreira. Segundo o policial, Orlando Silva seria o mentor e beneficiário de um esquema de pagamento de propina. Ongs que possuem convênio com o programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, pagariam uma porcentagem ao ministro uma porcentagem do dinheiro repassado a elas..

João Dias diz é acusado de ter sido beneficiado com irregularidades no mesmo programa do Ministério do Esporte que ele agora denuncia. Passou cinco dias preso em abril de 2010 por suspeitas de irregularidades nas academias das quais é proprietário. O Ministério do Esporte cobra uma dívida de R$ 3 milhões. Esse dinheiro havia sido repassado pelo próprio ministério que agora exige devolução por má aplicação do dinheiro recebido. O policial militar é ex-militante do PC do B, mesmo partido de Orlando Silva.